quinta-feira, 17 de setembro de 2009

A Revolta das Endorfinas!

Romance, Paixão, Amor, Desejo... Sexo. Como diriam os Gato Fedorento no (provavelmente) mais espectacular sketch que produziram até hoje, "são tudo palavras do dicionário, mas deixemos isso agora!". Na realidade, todas estas emoções estão ligadas entre si de uma forma umbilical e fazem parte de um todo cósmico que flui na própria essência do nosso ser.

"Todos os Homens e Mulheres querem amar e serem amados". Ouvimos esta expressão (ou variantes) com frequência. Mas que raio é o Amor então? O que é essa coisa de que tanto se fala e que nos faz partir numa demanda incessante que começa no dia em que decidimos sair da nossa bolha protectora de líquido amniótico? É uma ditadura do coração em relação a todos os nossos outros sentimentos e que quase sempre nos tolda a razão, a clarividência. Estamos portanto no reino do kitsch, porquanto somos "forçados" a aceitar este ideal estético, esta visão politicamente correcta, como algo de bom, de são.

Impõe-se uma pequena clarificação ao meu último texto. Os Homens não são vítimas de qualquer espécie no que toca ao seu relacionamento com as Mulheres e, de igual modo, estas não são nenhumas más-da-fita. Não há, aliás, "bons-da-fita" e "maus-da-fita" no que toca ao sexo, à paixão e ao amor. Há, apenas e sempre, diferentes formas de viver estas emoções num casal, dado que este é composto por duas pessoas diferentes com formas diferentes de encarar essa mesma relação, seja ela de que tipo for.

O que se pretendia dizer é que os Homens sempre tiveram uma postura muito mais franca no que toca à importância do sexo nas suas vidas do que as Mulheres. O Homem assume que precisa de sexo, que este tem um papel importantíssimo na sua vida e que contribui decisivamente para o seu estado de espírito, para o seu status quo. Já quanto à Mulher, quer-me parecer que ela também tem consciência de que o sexo tem igual importância na sua vida, mas recusa-se a assumir esta necessidade de forma aberta e franca e faz passar a mensagem de que o sexo não é assim tão importante.

Este fenómeno terá raízes profundas em vários sectores da nossa cultura e que, a meu ver, começa a pontificar quando iniciamos a formação do nosso ser, na nossa infância. A educação religiosa e moral de que somos alvo, essencialmente católica-cristã, em muito contribui para essa postura menos franca das Mulheres perante o sexo. A Santa Sé sempre se esforçou por atribuir um papel de ínfima relevância ao sexo, ligando-o à procriação e desvalorizando-o. E, nesta visão, a Mulher tem um papel inferior ao do Homem. Não existe uma teoria da qual discordo mais! A Mulher não tem inferioridade nenhuma em relação ao Homem. Nem superioridade!

Mas não é esta a única razão para as Mulheres terem uma postura tabu relativamente ao sexo. Eu acho mesmo que a principal razão se prende com o facto de que as Mulheres, desde tenra idade, é-lhes incutida e constantemente impressa na memória, a ideia de que o sexo é algo que faz parte do Amor, de um Romance, de uma linda história em que o Príncipe é perfeito, casa com a Princesa (ela, a Mulher, claro!) e vivem felizes para sempre.

Basta olhar para um pequeno detalhe: os Homens da minha idade, na sua infância viam desenhos animados, tal como as Mulheres. Mas os Homens viam desenhos animados de que tipo? De guerra, de aventura, de cowboys, etc. Tudo narrativas onde predominam os heróis, personagens que são fora-de-série e conseguem fazer coisas incríveis, sobre-humanas! As Mulheres, por seu turno, eram bombardeadas com infindáveis histórias de Amor, com Príncipes perfeitos, Homens ideais que amam as Princesas incondicionalmente e que devotam a sua vida a amar as suas princesas. O mesmo se passa na adolescência.

É portanto, compreensível que as Mulheres tenham uma versão romantizada do Homem e que, paralelamente à demanda pelo Amor, se lancem furiosamente numa outra demanda: encontrar o Príncipe Perfeito, o Homem Ideal! O problema desta visão é que a fábrica que produz Homens Perfeitos está em ruptura de stock, não tem capacidade de fornecer nem um que seja, minhas queridas. Não há Homens Perfeitos. Não há Príncipe Encantado. Ele não vai aparecer um dia, montado num cavalo branco e arrebatar o vosso coração.

O que há é Homens normais, com virtudes e defeitos, que amam e precisam de ser amados e que gostam muito de sexo. E fazem questão de o demonstrar, cada qual à sua maneira, às Mulheres. Posto isto, recomendo uma sessão de sexo a vosso gosto, mais curta, mais longa, mais calma, mais mexida... enfim, toca a libertar endorfinas!

Endorfina (para os mais distraídos):

A endorfina é um neurotransmissor ... uma substância química utilizada pelos neurónios na comunicação do sistema nervoso e também uma hormona, uma substância química que, transportada pelo sangue, comunica com outras células.

Durante o orgasmo esta substância é libertada na corrente sanguínea, provocando uma intensa sensação de relaxamento no casal...

Efeitos principais das endorfinas:

* Melhoram a memória;
* Melhoram o estado de espírito (bom humor);
* Aumentam a resistência;
* Aumentam a disposição física e mental;
* Melhoram o nosso sistema imunológico;
* Bloqueiam as lesões dos vasos sanguíneos;
* Têm efeito anti-envelhecimento...;
* Aliviam as dores.

in Wikipedia (http://pt.wikipedia.org/wiki/Endorfina)
Ai que estou cheio de dores... ;)

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Ser Sexual ou não Ser?

Homens. Mulheres. Tal como tudo o que existe neste planeta perdido no meio da imensidão que é o universo, equilibram-se e complementam-se. Este equilíbrio, esta complementaridade, é, ao mesmo tempo, a nossa maior maldição.

Porquê? Porque um não vive sem o outro, a vida dos Homens e das Mulheres não faz sentido sem o contrapeso da balança. É Yin sem Yang, Bem sem Mal, Certo sem Errado, Preto sem Branco. E esta relação é, quase sempre, extremamente difícil de gerir e de suportar.

Segundo o Antigo Testamento, do Homem se gerou a Mulher, para o servir e acompanhar, mas nunca questionando a sua superioridade. No entanto, os mesmos escritos revelam também que a Mulher possui, desde os primórdios dos tempos, uma argúcia e um toque de malícia que o Homem desconhece. Já o Homem seria curioso e simples, inocente por natureza.

Essa visão simplista e lírica do Homem e da Mulher não está tão distante da realidade que vivemos como se possa pensar. Os Homens continuam a ser simples e curiosos mas não se pode dizer que desconhecem a malícia ou que não são astutos. Aliás, o Homem é capaz de quase tudo quando se trata de seduzir uma Mulher. Até de se transformar no Homem que aquela Mulher em particular gostaria que a seduzisse.

Já a Mulher, continua arguta e maliciosa, mas eternamente romântica. Capaz de extremos, de amar profundamente ou de odiar brutalmente. De servir o Homem ou de se servir do Homem. E são capazes de ir bem mais longe que os Homens no jogo da sedução.

A questão que me intriga, no entanto, é o papel do Sexo no meio disto tudo. Se é claro que para o Homem a relação sexual é proeminentemente um acto físico em que os sentimentos emocionais pela parceira funcionam como um catalisador dos sentimentos físicos (um potenciómetro do orgasmo), já para as Mulheres o sexo é essencialmente um acto psicológico que existe enquanto o culminar de uma bela história de amor em que todos viveram felizes para sempre. Não quero dizer com isto que a Mulher não sente prazer físico no acto sexual, apenas que o psicológico sobrepõe-se ao físico, o romance predomina sobre a volúpia.

Esta dualidade de aproximações ao Sexo é mais uma prova da complementaridade e equilíbrio do Homem e da Mulher. Não existe volúpia sem romance, prazer sem sentimento. Nem para Homens, nem para Mulheres.

Seja como for, o Sexo (o acto sexual) possui uma importância extraordinária nas nossas vidas ao ponto de alguns de nós viverem obcecados com ele. Digam o que disserem, ninguém vive uma vida perfeitamente normal e equilibrada sem Sexo. Poderia inclusivamente apresentar uma panóplia de estudos científicos que provam que o Homem tem uma necessidade subjacente de assegurar a sua descendência, que as Mulheres que fazem sexo regularmente têm menos risco de padecerem de uma qualquer condição física, ou uma outra qualquer justificação para aquilo que todos sabemos no mais íntimo do nosso ser: Sexo é bom! Sabe bem!

Nota-se claramente na cara das pessoas com que nos cruzamos no dia-a-dia se a sua vida sexual é boa ou não. Carrancudos, sisudos, tristes e afins não têm bom sexo com a regularidade com que deveriam. Já Freud dizia que tudo o que fazemos na nossa vida, o mais pequeno acto, tem o Sexo como objectivo final.

Os Homens, no entanto, têm uma postura muito mais franca relativamente à importância do Sexo nas suas vidas que as Mulheres. Para os Homens, quanto mais sexo, melhor! Para as Mulheres, nem por isso. Porquê? Porque para as Mulheres, tem de haver "clima". Têm de ser criadas as condições psicológicas que permitam que elas sintam desejo pelo Homem. Para o Homem, sendo o Sexo essencialmente físico, basta que a Mulher lhe provoque desejo físico (nada mais fácil, para uma Mulher minimamente inteligente).

No fundo, ambos os lados procuram a mesma coisa, uns de uma forma mais simples e directa, outros de uma forma mais elaborada e complexa. Quem tem razão? Existe um meio-termo?